São Paulo, finalmente.


Cheguei a São Paulo em maio de 1971 como repórter da editoria de Esportes.

O chefe era Ludenbergue Teixeira de Góes e os imediatos dele Clóvis Rossi, Ricardo Kotscho e Luiz Carlos Ramos, o ‘Barriguinha’.

Na equipe se destacavam ainda repórteres como Ney Craveiro, Reginaldo Leme, João Prado, Darci Higobassi, Ewerton Capri Freire, Paulo Moledo de Aquino e Milton José de Oliveira.

Todos me deram o maior apoio.

Kotscho, por exemplo, foi responsável pela minha primeira viagem de longa distancia e de avião.

Depois de muita insistência, ele convenceu Góes a me mandar pra Brasília, onde seria disputado o Mundial Feminino de Basquete.

Cheguei à Capital Federal com uma malinha tão simples, que o recepcionista do Hotel Nacional não acreditou que eu era o repórter em nome de quem o Estadão havia feito reserva.

Comigo, como enviado especial do Jornal da Tarde, viajou um ‘foca’ que viria a fazer muito sucesso no Brasil e no exterior: Paulo Moreira Leite, o ‘Paulinho’, que em 2005 foi contratado pelo Estadão como repórter especial, logo após deixar a direção de Redação do Diário de S. Paulo.

Depois do batismo de fogo que foi a cobertura de Brasília, tive oportunidade de fazer reportagens importantes.

Uma delas foi sobre a situação em que se encontrava o Santos FC, cuja pauta, o título e o ‘lidão’ (nome dado a abertura) foram escritos por Clóvis Rossi.

Outra foi a antecipação da parada de Pelé no Santos FC, graças às informações que me foram confiadas por Pepito, secretário particular do ‘Rei do Futebol’, primo da minha então futura comadre Maria Hermínia Santiago, em cuja residência, no Gonzaga, fiquei hospedado com a minha já esposa Sueli.

Recordo-me com alegria, também, dos ‘furos’ que me foram dados pelo saudoso Kid Jofre, pai de Eder Jofre, treinador fixo da Academia de Boxe do SPFC; das coberturas de Fórmula 1 ao lado de Reginaldo Leme; dos seis meses que acompanhei o Palmeiras de Osvaldo Brandão, Dudu, Ademir da Guia e Leão, entre outros; do mês em que substitui Paulo de Aquino no SPFC e das viagens com o Santos FC pelo Nordeste.

Difícil é lembrar da noite em que a Federação Paulista de Futebol anunciou o cancelamento do jogo marcado para o Pacaembu, porque o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho estava sendo usado pelos helicópteros que trabalhavam no salvamento das vitimas do incêndio do Edifício Andrauss.

Eu estava na FPF quando o superintendente Álvaro Paes Leme entrou na sala de imprensa e nos deu a notícia do cancelamento.

Alguém perguntou o motivo e Paes Leme falou do incêndio.

Eu, talvez distraído, não percebi a gravidade do incêndio e perguntei: “Só por isso, Mestre?”

Com o vozeirão que o caracterizava, Paes Leme, Mestre de duas ou três gerações de jornalistas na Última Hora de Samuel Wainer, me fulminou: “Mais, porra velho! E você acha isso pouco?”

Fiquei calado.

E calado fui até o Estadão, a pé, mesmo porque a cidade viveu naquela noite o maior congestionamento da história até então.

Como foi rica minha experiência como repórter esportivo do Estadão.

Cláudio Amaral

19/11/2006 18:59:24 e 7/5/2012 08:51:01

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