Eu voltei à Rádio Brasil de Adamantina
Livre dos plantões de fim de semana na Rádio Brasil, comecei a viajar com o meu pai e o time do Guarani Futebol Clube de Adamantina.
O nosso time disputava a terceira divisão do futebol profissional do Estado.
Boa parte da delegação viajava numa Kombi do meu pai e lá ia eu.
Numa tarde de domingo, em Fernandópolis, a equipe da Rádio Brasil precisou de reforço e eu não tive dúvida: empunhei o microfone novamente e comentei o jogo.
Quase apanhei da torcida local, mas disse tudo o que julguei ter de dizer.
Na segunda-feira, a convite da equipe, eu fui ao estúdio fazer novos comentários sobre o jogo e o desempenho dos jogadores do Guarani.
No corredor, rumo à mesma escadaria que me levaria a Alameda Armando de Salles Oliveira, encontrei, não por acaso, com o diretor que me demitira no mês anterior.
Fiquei branco, suei frio, disse um “boa tarde” com dificuldade e ele sorriu.
“Muito bem, meu jovem. Muito bem”, ele disse.
Eu respirei aliviado, mas nada falei.
Estava muito assustado e com medo de levar uma nova bronca, como a anterior, do dia em que fui demitido.
Mas, para meu alivio, ele falou: “Volte a trabalhar conosco”.
“Volto sim”, eu respondi.
E ele emendou: “Só que a rádio não tem dinheiro pra te pagar, pelo menos por enquanto”.
Balancei a cabeça como se quisesse dizer “tudo bem” e fui embora.
A partir de então compareci a todas as transmissões e programas esportivos da Rádio Brasil de Adamantina.
Fiz, inclusive, uma transmissão de judô, tendo ao meu lado um amigo que conhecia todos os golpes.
Foi uma fase rica, alegre, intensa.
Aprendi muito com os putas velhas do microfone que lá trabalhavam.
Entre eles, Sandro Villar (que revi muitos anos depois em São Paulo e a quem ajudei a editar As 100 Melhores Crônicas de Humor), José Vialle (que abandonou o rádio para ser advogado em Dracena), a dupla caipira Crispim e Durvá (que me ensinou a gostar de Luar do Sertão), Armindo Silva (ferroviário na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e apresentador de noticiário), o operador de mesa Jonas Bonassa (o Sabiá, que acabou dono da Rádio Brasil) e o discotecário Eutímio Romualdo Sepúlveda (conhecido como Pacola).
Foi naquela fase que conheci também Osmar Santos, narrador da Rádio Clube de Osvaldo Cruz e de quem me tornei Amigo em Marília.
Como foi bom trabalhar, ainda que sem remuneração, na Rádio Brasil de Adamantina.
Cláudio Amaral
11/11/2006 22:29:23 e 2/2/2012 00:41:39
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