No Grupo Escolar e no Helen Keller, em Adamantina
Minha primeira professora no 1º Grupo Escolar de Adamantina foi dona Esther.
Guardo até hoje uma foto dela com a minha turma na quarta série, em 1958.
Mais o quem mais me marcou foi o professor Celso.
Ele era muito bravo, sério, exigente.
Todos morríamos de medo dele.
Um dia de 1959 ele perdeu a paciência com um colega, o Leandro.
O menino não conseguia fazer uma conta, na lousa, e o mestre deu um tapa de raspão no lado esquerdo do rosto.
Para azar de ambos, o lado direito do rosto do aluno bateu na quina da lousa e inchou no ato.
Professor e aluno foram chamados na sala do diretor, professor Guilherme.
O professor Celso foi transferido de escola e o aluno de classe.
Com a transferência, minha turma ficou dias sem professor.
Eu, ao invés de ir trabalhar com meu pai na Lavanderia e Chapelaria Adamantina, na Rua Joaquim Nabuco, aproveitei para ganhar um extra.
Passei na quitanda do vizinho, pedi trabalho e ele me deu mangas para vender na rua.
Fui direto para o Grupo Escolar e aproveitei o horário do recreio para oferecer as frutas para os alunos que eu conhecia.
Não sei como mas meu pai ficou sabendo da minha incursão pelo comércio de mangas e me disse, em casa, que não havia gostado da minha atitude.
Tal qual estes episódios, lembro-me bem da minha primeira aula no Grupo Escolar.
Eu tinha mais material do que a minha bolsa comportava e a professora Esther, sabendo que eu havia chegado a pouco da Capital, me disse, sorrindo: “Você está querendo pôr São Paulo dentro de Adamantina?”
Do Grupo Escolar eu fui para o Ateneu Bento da Silva, mas não passei nos exames de admissão.
A saída foi o Instituto Educacional, onde o diretor era amigo do meu pai e me dispensou da admissão.
Logo, entretanto, mudei para o Ginásio Estadual Helen Keller, onde não era preciso pagar mensalidade.
Lá eu comecei a estudar inglês.
Estudar, sim, porque aprender, que é bom, nada.
Também com a professora que eu tinha.
Ela era da vizinha cidade de Lucélia.
Era jovem, muito bonita e, como todas as moças da época, usava minissaia.
Eu, tímido mas malandro, sentava na primeira carteira, logo à frente da mesa dela.
Ela, por sua vez, dava aula sentada na mesa.
E, de minha parte, não prestava a mínima atenção ao inglês dela, apenas naquelas pernas maravilhosas.
Ao contrário do inglês, eu ia muito bem no português.
Tão bem que, graças aos ensinamentos da professora Mítico, eu me interessei por redação e nunca mais parei de escrever.
Mítico era uma senhora, tinha nascido no Japão, mas, para surpresa geral, conhecia nossa língua como poucos e falava sem sotaque.
Como foi bom estudar no Grupo Escolar e no Helen Keller.
Cláudio Amaral
11/11/2006 23:02:54 e 7/2/2012 02:44:41
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