A primeira reportagem foi para o JC de Marília
Minha primeira reportagem eu escrevi no dia 1º de maio de 1968.
O tema foi a festa do trabalhador em Adamantina.
Escrevi e mandei para o Jornal do Comércio de Marília, aonde viria a cumprir a primeira fase da minha carreira profissional no Jornalismo.
De maio a dezembro, relatei tudo o que vi e ouvi em Adamantina para o JC do saudoso Mestre Irigino Camargo, falecido em junho de 2004.
Escrevia a mão, porque nem máquina eu tinha.
Terminada a redação, colocava as folhas de papel com pauta num envelope que Irigino me mandava às dúzias, todos selados, e entregava no Correio.
Dois dias depois as minhas noticias estavam nas páginas do JC.
Raras foram as que deixaram de ser publicadas.
Antes de começar a escrever para o Jornal do Comércio de Marília tentei trabalhar na imprensa local.
Tentei mas não consegui.
Ofereci meu trabalho também para a Folha de S. Paulo, mas fui recusado.
Guardo até hoje a carta em que a Folha me comunicava que tinha correspondente em Adamantina e que estava satisfeita com o trabalho dele.
Dava até o nome do homem, mas eu nunca vi uma notícia da cidade no jornal do professor Nabantino e do ‘seu’ Frias.
Contrariado, mas jamais vencido na determinação de ser jornalista, escrevi e me ofereci para o JC.
Conheci o Jornal do Comércio de Marília na mesma agência do Correio que depois viria a postar minha correspondência para o jornal.
Foi numa de minhas idas diárias à caixa postal do Luís, o dono do Foto Linense, onde eu trabalhava.
Vi o jornal de cabeçalho em vermelho, gostei e meti as caras.
Irigino aceitou minha colaboração de primeira, me mandou envelopes selados, me deu cinco assinaturas para vender por mês e ficar com o dinheiro como remuneração.
Vendi duas, no máximo três por mês, e dei as outras para amigos e fontes importantes.
Eu queria mais era mostrar serviço do que ganhar dinheiro.
No inicio de 1969, fui trabalhar com Irigino Camargo em Marília e lá aprendi, verdadeiramente, o que é ser jornalista.
Comi o pão que o diabo amassou nos meus primeiros meses de Marília.
Morava sozinho numa pensão da Rua 9 de Julho, a metros do JC.
Sentia-me sozinho e queria ir todo sábado para casa, em Adamantina.
Nem sempre conseguia, mas quando dava eu pegava o trem das 4 da tarde e duas horas e meia depois estava em casa.
Descia a rua do ex-terrão no maior pau.
Invariavelmente, minha querida irmãzinha vinha a meu encontro, alegre, sorridente.
Fazia o resto do percurso abraçado a ela, que me contava as novidades dos dias em que eu estivera fora.
Como era bom voltar para Adamantina.
Cláudio Amaral
11/11/2006 23:47:27 e 13/2/2012 05:10:07
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