O balcão e os jornais



Comecei a gostar de ler jornais no balcão do trabalho do meu pai, em Adamantina.

Eu ficava no balcão da Lavanderia e Tinturaria Adamantina, na Rua Joaquim Nabuco, quase esquina com a Avenida Rio Branco.

Ali eu recebia as pessoas que levaram calças, principalmente, para meu pai lavar e passar.

As pessoas levavam também paletós e camisas, em geral, brancas.

Meu pai fazia outro tipo de serviço: a reforma de chapéus.

A maioria das pessoas levava a roupa embrulhada em jornal.

Por orientação de meu pai, eu esticava as folhas de papel e guardava para serem reaproveitadas.

E sempre que tinha um tempinho, eu lia aqueles jornais.

Às vezes, eu lia jornais da véspera, mas era comum ler publicações de dias e dias anteriores.

Isso não me incomodava.

O que eu queria era ler as notícias, ver as ilustrações.

Foi assim que eu peguei gosto pelos jornais.

Quando eu deixei de trabalhar com meu pai e fui para o Foto Linense, na Avenida Rio Branco, perto da Igreja Matriz de Santo Antônio, conheci um japonês que vendia carimbos por toda a região.

‘Seu’ Sushi era baixinho, gordinho, morava em Junqueirópolis e enxergava muito pouco, quase nada.

Era por isso que ele me pedia pra ler a Última Hora, de São Paulo, em voz alta.

Um dia, lendo o jornal pro ‘seu’ Sushi, dei de cara com uma crônica em que o autor dizia que “o Jornalismo é um vírus”.

Isso me chamou a atenção.

Fui em frente e fiquei sabendo que “o Jornalismo não é um vírus qualquer”.

“O Jornalismo”, explicava o cronista da UH, “é um vírus que nasce dentro da gente e que ninguém consegue eliminar”.

Isto foi o suficiente para eu me perguntar: “Será que eu tenho esse tal de vírus do Jornalismo?”

Como foram bons meus primeiros contatos com os jornais, no balcão do trabalho do meu pai e no Foto Linense, em Adamantina.

Cláudio Amaral

12/11/2006 10:24:31 e 16/2/2012 00:29:41

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