Meu primeiro jornal: O Sorridente
O primeiro jornal em que trabalhei não era lá bem um jornal.
Era um mini-jornal.
O nome era O Sorridente.
Era o jornal da Associação dos Moços da Seicho-No-Iê.
Eu fazia parte da seita do saudoso Mestre Massaharo Taniguchi por influência de um grande Amigo, Ademar Shigueto Hayashi, hoje empresário em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro.
Ele era presidente da Associação dos Moços e a diretoria, da qual eu participava, resolveu criar um jornalzinho.
Fizemos uma edição por mês por mais de um ano.
Primeiro, numa tipografia de Adamantina.
No fim, numa tipografia de Lucélia, cidade a sete quilômetros da minha.
Eu escrevia de tudo.
Fazia principalmente as notícias sobre os nossos eventos, passados e futuros.
Escrevia comentários, também.
E como tinha facilidade pra escrever, e pra falar em público também, escrevia discursos para os colegas da minha faixa etária e pra meninadinha.
Escrevia e orientava todos eles para apresentações nos concursos de oratória da Seicho-No-Iê.
Foi naquela época, nos anos 1966 a 68, que eu aprendi que se deve escrever frases curtas, porque frases longas deixam o leitor – e o orador, no caso – sem fôlego.
Apliquei esta técnica quando passei a escrever discursos para empresários e políticos, já em São Paulo.
Escrevi para O Sorridente até que mudei para Marília, em janeiro de 1969, para trabalhar no Jornal do Comércio.
Levei comigo uma coleção completa do meu primeiro jornal.
Guardava com o maior carinho aquela coleção e também as notícias e reportagens assinadas no Jornal do Comércio de Marília.
Um dia, porém, quando toda minha família já estava morando em Marília, numa casa de madeira da Avenida República, próximo ao ‘Abreusão’, o estádio de futebol da cidade, veio uma das maiores decepções da minha vida de jornalista.
Ao chegar em casa para almoçar, vi que minha mãe tinha usado meus jornais, O Sorridente entre eles, para tapar frestas abertas nas paredes de madeira.
Fiquei tão triste, mas tão triste, que nem ralei com minha mãe.
Mesmo sem ter mais a coleção de papel de O Sorridente, continuo guardando-o no coração.
Como é bom lembrar do meu primeiro jornalzinho.
Cláudio Amaral
12/11/2006 13:37:24 e 23/2/2012 00:03:10
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