De volta a Campinas, contra minha vontade
Claro que eu esperava ficar em São Paulo após as férias dos repórteres João Prado de Almeida Pacheco, o ‘Pradão’, e Reginaldo Leme, o ‘Alfacinha’.
Mas, não foi isso que aconteceu.
Fui obrigado a voltar a Campinas e lá trabalhar mais um mês, abril de 1971, morando de novo na casa de família da Rua da Conceição.
Eu gostava de trabalhar em Campinas, mesmo tendo uma jornada diária muito longa.
Mas eu sempre me lembrava que meu objetivo principal era ser repórter na sede do Estadão, na Capital.
Além de querer muito vir pra São Paulo, eu temia ter outros atritos com o chefão Raul Martins Bastos, exatamente o homem que me admitiu no Estadão.
Sempre fui adepto e admirador da paz, mas no inicio do meu terceiro mês de Campinas, em janeiro de 1971, não suportei a falta de pagamento e chiei.
Chiei de uma maneira até deselegante, reconheço, porque o chefe dos correspondentes do Estadão havia me dito que eu ganharia o meu salário de Marília mais o valor que era pago ao repórter de Campinas que eu substituiria.
Dois meses (novembro e dezembro de 1970) se passaram, o terceiro estava começando e nada.
Depois eu fiquei sabendo que Raul queria que eu fosse registrado pela sucursal e o gerente comercial de Campinas insistia que o registro deveria ser feito por São Paulo.
Para complicar a situação que já estava difícil em consequência da falta de salário, Raul mandou uma bronca pro chefe da sucursal, Mário Erbolato, por conta de um texto de uma coluna publicado pela revista Veja a respeito de um campeonato de planadores em Pirassununga, interior de São Paulo.
Ele entendia que era aquele tipo de matéria (um ‘site’, ou o outro lado da notícia, na linguagem jornalística) que eu deveria ter feito.
Aquilo me revoltou.
Tanto que, mesmo contra a vontade do meu chefe imediato, tomei o primeiro ônibus da Cometa para São Paulo.
Ao chegar na Redação, no 5º andar do edifício de número 28 da Rua Major Quedinho, Raul me perguntou, bravo: “O que você faz aqui?”
Eu estava de cabeça quente e por pouco não terminou ali a minha carreira de repórter do jornal que eu mais admirava.
Sem pensar, joguei sobre a mesa dele as cópias das matérias que eu havia escrito ao longo das semanas anteriores, em Pirassununga.
Joguei e perguntei: “Era isto que você esperava de mim?”
Entre a papelada havia uma notícia factual e um ‘site’ por dia de competição.
Raul alegou que não tinha conhecimento daquela produção, pois acompanhara a cobertura apenas pelo que o jornal havia publicado: um pirulito por dia.
Alegou também que estava certo de que eu tinha sido registrado pela sucursal e por lá recebia em dia o meu salário.
Ato contínuo, determinou ao auxiliar Adhemar Oricchio: “Leve o Cláudio ao ‘Delfim’ (codinome do gerente financeiro) e peça uma solução rápida para os pagamentos dele”.
Como foi bom voltar para Campinas com os bolsos cheios.
Cláudio Amaral
19/11/2006 18:20:31 e 29/4/2012 22:50:56
Mas, não foi isso que aconteceu.
Fui obrigado a voltar a Campinas e lá trabalhar mais um mês, abril de 1971, morando de novo na casa de família da Rua da Conceição.
Eu gostava de trabalhar em Campinas, mesmo tendo uma jornada diária muito longa.
Mas eu sempre me lembrava que meu objetivo principal era ser repórter na sede do Estadão, na Capital.
Além de querer muito vir pra São Paulo, eu temia ter outros atritos com o chefão Raul Martins Bastos, exatamente o homem que me admitiu no Estadão.
Sempre fui adepto e admirador da paz, mas no inicio do meu terceiro mês de Campinas, em janeiro de 1971, não suportei a falta de pagamento e chiei.
Chiei de uma maneira até deselegante, reconheço, porque o chefe dos correspondentes do Estadão havia me dito que eu ganharia o meu salário de Marília mais o valor que era pago ao repórter de Campinas que eu substituiria.
Dois meses (novembro e dezembro de 1970) se passaram, o terceiro estava começando e nada.
Depois eu fiquei sabendo que Raul queria que eu fosse registrado pela sucursal e o gerente comercial de Campinas insistia que o registro deveria ser feito por São Paulo.
Para complicar a situação que já estava difícil em consequência da falta de salário, Raul mandou uma bronca pro chefe da sucursal, Mário Erbolato, por conta de um texto de uma coluna publicado pela revista Veja a respeito de um campeonato de planadores em Pirassununga, interior de São Paulo.
Ele entendia que era aquele tipo de matéria (um ‘site’, ou o outro lado da notícia, na linguagem jornalística) que eu deveria ter feito.
Aquilo me revoltou.
Tanto que, mesmo contra a vontade do meu chefe imediato, tomei o primeiro ônibus da Cometa para São Paulo.
Ao chegar na Redação, no 5º andar do edifício de número 28 da Rua Major Quedinho, Raul me perguntou, bravo: “O que você faz aqui?”
Eu estava de cabeça quente e por pouco não terminou ali a minha carreira de repórter do jornal que eu mais admirava.
Sem pensar, joguei sobre a mesa dele as cópias das matérias que eu havia escrito ao longo das semanas anteriores, em Pirassununga.
Joguei e perguntei: “Era isto que você esperava de mim?”
Entre a papelada havia uma notícia factual e um ‘site’ por dia de competição.
Raul alegou que não tinha conhecimento daquela produção, pois acompanhara a cobertura apenas pelo que o jornal havia publicado: um pirulito por dia.
Alegou também que estava certo de que eu tinha sido registrado pela sucursal e por lá recebia em dia o meu salário.
Ato contínuo, determinou ao auxiliar Adhemar Oricchio: “Leve o Cláudio ao ‘Delfim’ (codinome do gerente financeiro) e peça uma solução rápida para os pagamentos dele”.
Como foi bom voltar para Campinas com os bolsos cheios.
Cláudio Amaral
19/11/2006 18:20:31 e 29/4/2012 22:50:56
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