Seis meses em Campinas


Fiquei apenas seis meses em Campinas.

Morei numa casa de família na Rua da Conceição, onde hoje existe um edifício residencial de alto padrão.

Dividi um quarto com um jovem, como eu, de quem jamais consegui ter qualquer informação.

Também, pudera: trabalhei de 12 a 15 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Acompanhei o dia a dia dos times de futebol profissional do Guarani (treinado por Armando Renganeschi e Zé Duarte) e da Ponte Preta (que havia sido vice-campeão brasileiro e era orientado por Cilinho).

Ao mesmo tempo, escrevi a respeito do time de basquete do Tênis Clube, das atividades do Comando Regional do Exército (dirigido pelo coronel Rubens Restel) e da Academia Militar da Aeronáutica de Pirassununga.

Como se tudo isto não bastasse, dei expediente à noite por dois meses na editoria de Esportes do Diário do Povo.

Assinava Amaral Júnior, certo de que ninguém do Estadão desconfiaria da minha dupla jornada.

Eu me sustentava com o salário do Diário do Povo e mandava toda a remuneração do Estadão para minha noiva comprar os móveis e utensílios da casa que pretendíamos montar em Campinas.

Comi o pão que o diabo amassou, em Campinas.

Era a época dos cheques sem fundos e, como eu estava acostumado a pagar quase tudo com cheque, fiquei sem jantar por vezes.

Nem mostrando a carteirinha de repórter do Estadão e o saldo anotado no canhoto do talão os donos de restaurantes aceitavam meu cheque.

Só voltei a comer bem quando consegui abrir conta num boteco ao lado do Diário do Povo.

Sempre que eu queria ir a Marília pra rever a família e a Sueli, era obrigado a pedir favores para um ou outro colega da sucursal, porque todo sábado eu era obrigado a mandar uma “apresentação quente” de cada time para a rodada de domingo do Paulistão.

Foi em Campinas que eu aprendi a operar telex.

Achei o máximo porque até então eu só tinha um meio de passar meus textos para o Estadão: via telefone.

Mas, como a sucursal não tinha operador de telex, quando o serviço acumulava na hora do fechamento, eu apelava para Arnaldo, uma espécie de “faz tudo” da área comercial.

Arnaldo foi um grande Amigo, pois, além de ter me apresentado a Campinas, me pagou muitos sanduíches naquelas ocasiões em que tive meu cheque recusado em restaurantes locais.

Como foi importante ter vivido e trabalhado seis meses em Campinas antes de ir para São Paulo.

Cláudio Amaral

19/11/2006 15:16:18 e 2/4/2012 09:15:01

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