Adeus, Adamantina



Quando eu tinha de 4 para 5 anos de idade, meu pai resolveu que mudaríamos de Adamantina.

Ele decidiu.
Em casa era assim: ele decidia e pronto.

Não tinha conversa, nem isso, nem aquilo.

Mas, verdade seja dita, ele tinha razão.

A razão era a paralisia infantil do meu irmão, Clówis, o único irmão que eu tenho (ou melhor, tinha, porque eu faleceu em acidente de automóvel em 17/1/2008, em Uberaba/MG).

Em Adamantina, no início dos anos 1950, não tinha como curar meu irmão.

Até porque a vacina contra a paralisia infantil só começou a ser pesquisada em 1952.

Albert Bruce Sabin, o Dr. Sabin (1906/1993), que eu viria a conhecer, pessoalmente, e a entrevistar, em 1990, em São Paulo, só conseguiu lançar a Vacina Sabin em 1962.

Naquele ano meu irmão já estava curado.

Ele andava normalmente e jogava futebol como poucos.

Mas, então: como não tinha cura para a doença dele em Adamantina, fomos todos para Marília.

Lembro-me pouco daquela primeira passagem por Marília.

O pouco que lembro era de meus pais colocando meu irmão em pé sobre a cama do casal.

Era colocar e ele caia na cama.

Ele não se sustentava em pé.

Ai meu pai não teve alternativa: “Vamos pra São Paulo”.

E lá fomos nós.

Ou viemos, como queiram, porque no momento eu moro em São Paulo.

Na Aclimação, precisamente.

E é daqui que escrevo estas histórias.

Fomos morar no Sacomã.

Morar, exatamente, não é bem o termo.

Na verdade, mesmo, nós fomos quase que nos esconder numa espécie de subsolo de uma casa do Sacomã.

A vida era dura, duríssima.

Lembro-me, por exemplo, que minha mãe fazia sanduíches para ajudar na economia doméstica.

Até pão com manteiga e pingado (café com leite) ela vendia na vizinhança.

Ela costurava, também.

Costurava as nossas roupas e as de outras pessoas.

Como foi difícil a vida dos meus pais na minha infância.

Cláudio Amaral

29/11/2006 11:08:00 e 17/1/2012 11:42:40

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