O fim do futebol no campinho


Vocês podem não acreditar, mas é verdade: acabaram com o futebol no campinho também.

E claro que foi a Prefeitura de Adamantina, novamente.

A prefeitura e o INPS, ou, como se diz hoje em dia, a tal da Previdência Social.

Sim, porque a cidade precisava de uma sede mais espaçosa e moderna para os barnabés do INPS e eles mais os homens lá de Brasília escolheram o terreno do nosso campinho.

Foi o fim do campinho e dos circos que ali se instalavam duas ou três, no máximo quatro vezes por ano.

Dos circos ninguém reclamava.

Era muito divertido ir ao circo.

Tinha palhaço, claro.

Mas tinha também elefante, leão, onça, mula, burro e muito mais.

Um circo em especial, que voltava todo ano a Adamantina, tinha esse tal de muito mais: eram as mulheres.

Umas eram bonitas; outras, nem tanto.

As bonitas compensavam as nem tanto.

Mas todas tinham pernas vistosas, sempre à mostra.

Tinham peitos grandes, também.

E isso era o suficiente para a alegria da meninada da minha idade.

Todas elas eram devidamente homenageadas por nóis todo dia.

Algumas mereciam mais de uma homenagem por dia.

E por noite, também.

Por tudo isto, vocês podem fazer uma idéia da tristeza da minha turma quando os homens chegaram ao terreno do nosso campinho para começar a medição.

Tão tristes ficamos que nem esboçamos protesto.

Ficamos na calçada olhando eles invadirem o nosso território.

Tal qual os tchecos ficaram quando os russos invadiram a Tchecoslováquia.

Se bem que naquela época nenhum de nóis tinha idéia do que e como havia sido a invasão russa à Tchecoslováquia.

Muito menos onde ficava a Tchecoslováquia.

Que dirá os motivos que levaram a Rússia a invadir aquele país do leste europeu.

Leste europeu?

Como foi triste ver o fim do campinho de futebol.

Cláudio Amaral

11/11/2006 18:08:20 e 4/1/2012 05:43:38

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