A Copa do Mundo de Futebol de 1958
A Copa do Mundo de 1958 foi um marco na minha vida de menino pequeno em São Paulo.
Ainda não havia transmissão pela televisão no Brasil (que veio somente em 1970).
Só pelo rádio.
E a Rádio Bandeirantes, a mais famosa da época, havia espalhado grupos de auto-falantes pelo centro da cidade.
Os falantes eram sustentados por balões gigantes presos por cordas nas laterais de viadutos como o do Chá.
Junto a cada um desses grupos de falantes se formava uma multidão de fanáticos torcedores para acompanhar as vitórias do Brasil.
Um daqueles grupos ficou órfão dos falantes quando um vândalo resolveu cortar as cordas e o balão do Viaduto do Chá subiu pro céu.
O mesmo céu que ficou coalhado de balões após a final, quando o Brasil foi campeão ao vencer a Suécia por 5 a 2.
Vimos tudo graças às narrações dos vibrantes Edson Leite e Pedro Luis, os principais narradores da Bandeirantes e do Brasil.
Ouvimos, vimos e vibramos pelas ruas do Sacomã, em torno da Avenida Alencar Araripe e da Estrada das Lágrimas.
Depois, agradecemos a Deus na famosa Igreja de Santa Edwiges, onde eu tinha feito a primeira comunhão.
Na época, eu já havia perdido o emprego na sapataria.
Foi num sábado, lembram-se?
Mas na segunda-feira eu já estava trabalhando novamente.
Desta vez, numa lavanderia onde meu pai trabalhava.
Foi lá que eu me apaixonei pela primeira vez.
Ela tinha mais ou menos a minha idade, era loirinha, pequena, magrinha, alegre e sorridente.
Mais que isso: ela olhava pra mim.
De rabo de olho, mas olhava.
E eu, animado, procurava me vestir cada vez melhor.
Queria impressionar bem a menina.
Minha preocupação era tanta, e a ansiedade também, que um dia, após vestir a minha melhor calça, recém passada por minha mãe,
derramei café justamente junto à braguilha.
Decepcionado, eu pensei: “O que ela vai dizer quando vir esta mancha de café justo aqui?”
Ato contínuo, troquei de calça.
E mais decepcionado fiquei quando soube, já na lavanderia, que ela, a minha primeira paixão, havia viajado com os pais, em férias.
Nunca mais a vi.
E a esqueci rapidinho, porque tinha a Copa do Mundo pra comemorar.
Afinal, os jogadores campeões do mundo, com Gilmar, Didi, Vavá, Pelé e companhia, chegaram naqueles dias da Suécia.
Com eles veio, pela primeira vez, como nossa, todinha nossa, a Taça Jules Rimet.
Como foi bom ver o Brasil ser campeão do mundo pela primeira vez.
Cláudio Amaral
11/11/2006 19:50:15 e 11/01/2012 10:05:00
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