Futebol em São Paulo (nas ruas do Sacomã)
O futebol continuou no meu sangue em São Paulo.
E nos pés, nos olhos e nos ouvidos, também.
Em São Paulo, onde minha família morou por quase três anos, na segunda metade dos anos 1950, lembro-me bem de jogar futebol na rua, novamente.
Na rua de terra, tal qual viria a jogar anos depois, em Adamantina.
Foi numa dessas peladas que eu quase pelei meu pé direito.
É que havia uma tampa de lata enterrada no chão duma das ruas de terra onde nóis jogávamos.
Eu não vi a tampa, até porque ela estava encoberta pela terra, chutei a bola e a lata fez o favor de arrancar pelo menos metade da sola do meu pé.
Nem sei se fiz gol naquela jogada.
Sei apenas que foi horrível.
Horrível e doloroso.
Corri pra casa, pulando num pé só.
Nem deu tempo para avisar meus colegas que eu estava tirando o time de campo.
Mas eles devem ter percebido pelos meus berros de dor.
Em casa, minha mãe, sempre ela, lavou o meu pé e desinfetou com álcool.
Como ardeu.
Como doeu.
Horas depois, mas no mesmo dia, uma vizinha disse que aquilo era insuficiente para evitar infecção.
Disse mais: que minha mãe deveria lavar meu pé com urina.
O sal da urina, segundo a vizinha, evitaria a infecção.
Minha mãe (a saudosa Dona Wanda Guido do Amaral) chamou minhas irmãs Cleide e Clélia e meu irmão Clówis Francisco do Amaral (falecido), pediu que eles urinassem num penico e em seguida lavou meu pé direito.
Certo ou errado, a verdade é que meu pé nunca infeccionou.
Com o pé curado, eu não perdi tempo: voltei a jogar futebol com meus colegas no terrão das ruas do Sacomã.
Como foi boa minha infância no Sacomã, na primeira passagem da minha família por São Paulo.
Cláudio Amaral
16/12/2006 13:46:18 e 10/1/2012 09:04:20
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