De volta a Adamantina


Logo após a Copa do Mundo de 1958, meu pai decidiu que voltaríamos para Adamantina, onde eu nasci.

Fomos morar numa das casas que ele possuía e alugava.

Uma casa que até fogão de lenha tinha.

Era ao lado da casa onde viviam o quitandeiro, a beata e o viadinho, ou melhor, o futuro padre, na Rua General Isidoro, quase esquina da Alameda Armando de Salles Oliveira.

De lá, em poucos meses mudamos para a casa da rua de terra, o terrão, em frente ao terreno baldio que virou sede do INPS.

Foi no quintal daquela casa que eu tentei matar um passarinho, um pobre passarinho, cai do cavalete e espetei o braço esquerdo na cerca de balaústre.

Fiquei mais assustado do que nunca quando vi o braço aberto e os músculos à mostra.

Levantei, tentei colocar tudo no lugar e corri pra casa.

Gritei minha mãe.

Meu pai chamou a charrete do ‘seu’ Lelé e lá fomos nóis, eu e minha mãe, rumo à Santa Casa.

Na mesa de cirurgia, uma das poucas do lugar, o dr. Amaral, que não era nosso parente, me perguntou, na lata: “Anestesia local ou geral?”

“Local, doutor”, eu disse, para espanto da minha mãe.

Eu queria ver tudo de perto, ao vivo.

E vi, ponto por ponto.

Foram mais de 20 pontos, que deixaram uma marca visível até hoje no meu braço esquerdo.

Tão marcante que não há enfermeira que se anime a tirar sangue do meu braço esquerdo.

Foi no mesmo quintal e na mesma casa que eu instalei minha oficina de conserto de rádios.

Eu queria ser radio-técnico, aquele profissional que conserta aparelhos radiofônicos.

Fiz curso por correspondência pelo Instituto Universal Brasileiro e, ao mesmo tempo, trabalhei numa oficina da cidade, na Avenida Rio Branco.

Nunca, entretanto, consegui montar o aparelho que me daria o direito a ter o diploma de radio-técnico.

E a oficina ficou lá, até o dia em que meu pai decidiu deixar Adamantina e mudar pela segunda vez para Marília.

Foi a última das dez (ou seriam 12?) casas que ele teve em Adamantina.

Uma casa que a família vendeu muitos anos depois, após a morte do meu pai, em 1985, em Marília, onde ele foi sepultado.

Vendemos para comprar casa própria para minha mãe, em Marília, de onde eu havia me mudado para Campinas, em 1970, a convite do Estadão.

Como foram boas minhas infância e juventude em Adamantina.

Cláudio Amaral

11/11/2006 20:29:59 e 30/1/2012 10:57:40

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