Amor ao trabalho



Meu pai era sovina – ou pão duro, como prefere minha irmã caçula – mas um homem bom.

Bom e trabalhador.

Honesto como só ele.

Foi com ele que eu aprendi o gosto pelo trabalho.

Ao lado do meu pai eu tive a certeza de que “o trabalho enobrece o homem”.

Com meu pai eu tive a certeza de que é preciso trabalhar duro, muito, pra vencer na vida.

Baixinho, magrinho, lépido e faceiro, meu pai era o primeiro da família a acordar, a levantar e a começar a trabalhar.

Trabalhava duro pela manhã, à tarde e à noite.

Ninguém era mais rápido do que ele.

Com ele a preguiça não tinha vez.

Ninguém procurava mais a perfeição do que ele.

Vi meu pai de cama, doente, uma única vez.

Foi em Adamantina e creio que eu fui o culpado.

Eu trabalhava com ele, ainda, mas há tempos dizia que não queria ser tintureiro como ele para o resto da vida.

Queria estudar, crescer e vencer na vida.

Foi por isso que pedi emprego ao meu Amigo Ademar Shigueto Hayashi, que trabalhava com um tio dele numa loja de eletrodoméstico da Avenida Rio Branco, no centro da cidade.

Quando eu disse pro meu pai que deixaria de trabalhar com ele porque tinha arrumado outro trabalho, ele, coincidência ou não, amanheceu doente no outro dia.

Ele até que tentou me convencer a não ir.

Mandou que eu passasse na loja de discos que havia em frente do Cine Santo Antônio, na Alameda Armando de Salles Oliveira, e escolhesse o LP que eu quisesse.

Fui e comprei – com o dinheiro dele, claro – um disco de Renato e seus Blue Caps, cuja faixa principal é “O negro gato”.

Mesmo assim, mantive minha decisão e mudei de emprego.

Mudei de emprego mas não troquei de casa, nem de família, nem de pai.

Pelo contrário: fiquei cada vez mais amigo do meu pai.

E ficava cheio de orgulho quando via meus filhos e meus sobrinhos correndo e gritando pra ele: “Vô Lazinho, vô Lazinho”.

Ele era o vô Lazinho inclusive para sobrinhos meus de quem ele não era avô, como os irmãos André Guilherme, Rogério Alexandre e Paula, filhos dos meus cunhados Zé Cláudio e Lúcia Helena.

Meu pai trabalhou até o fim da vida e uma das maiores alegrias que eu tive por essa dedicação dele ao trabalho me foi dada pelo meu filho Mauro, que um dia me disse, na lata: “O vô Lazinho tinha razão, pai: trabalhar é muito bom”.

O gosto pelo trabalho foi a maior e melhor herança que meu saudoso e querido pai me deixou.

Cláudio Amaral

24/11/2006 17:01:42 e 26/1/2012 08:21:11

Comentários

  1. Imagens q sempre me veem, sempre lepido, faceiro, baixinho e magrinho...é o Vo Lazinho.

    Gde Abraco!!!

    "PseudoNeto" e sobrinho, Rogerio Alexandre.

    Viva o "Vô Lazinho"!!!

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    Respostas
    1. Grato, Rogério.
      Tenho certeza que o Vô Lazinho iria ficar muito feliz com essa mensgem que você publicou no meu blogue.
      Abraços e até maio, quando estaremos de volta aos EUA e pretendemos visitar você e a Cilene em "Alfredo", vulgo Orlando.
      Cláudio Amaral

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