O versátil tio Walter


Se tivesse vivido nos tempos da Internet, do CD, do DVD, da TV a cabo e outras modernidades, tio Walter seria chamado de “homem multimídia”.

Como não viveu tanto, o marido da tia Dulce e pai dos meus primos Celso, Vera e Denise, ficou conhecido, mesmo, foi como algo parecido com “homem dos mil instrumentos”.

Tio Walter era irmão da minha saudosa mãe, Dona Wanda, da minha querida tia Terezinha e do meu tio João José, que hoje vive em Santos, no Litoral paulista.

Funcionário do Hospital das Clinicas por mais de 30 anos, tio Walter ficou conhecido no trabalho dele como um profissional dedicado.

Mais que isso, ele era criativo e habilidoso.

No HC, fazia próteses para braços e pernas antes que elas começassem a ser produzidas em escala industrial no Brasil.

No Sacomã, onde morávamos, tio Walter era “o rei da latinha”.

Ele transformava todo tipo de latinha em utilidade doméstica.

Latinhas e latões, também.

Latinhas de massa de tomate, de ervilha, de milho, de leite condensado... todas.

Latas de óleo de cozinha e de leite em pó, também.

Enfim, todo tipo de lata virava nas mãos do tio Walter.

Viravam copos e copinhos, por exemplo, porque de uma ele tirava alças, várias alças, para diversas canequinhas.

Tio Walter era tão criativo e habilidoso que fazia objetos grandes, também.

Carrinhos de pipoca, por exemplo.

Carrinhos de sorvete, também.

Alias, foi em torno de um carrinho de sorvete que eu me encontrei pela última vez com o tio Walter vivo.

Foi na casa dele, a casa em que ele sempre morou, no Sacomã.

Uma casa cujo endereço nunca decorei pelo simples motivo de que sempre soube ir lá direto, sem mapa, nem guia, nem roteiro.

Fui com Sueli fazer uma visita ao tio Walter e à tia Dulce numa tarde de sábado.

Ele estava forte, alegre como sempre e bem disposto com nunca.

Meio curvado, mas isso era normal no tio Walter.

Nos mostrou a oficina que tinha nos fundos, como se eu não a conhecesse.

Transformou umas latinhas em objetos de arte pra Sueli dar aos nossos filhos.

E, claro, nos serviu sorvete tirado de um carrinho feito por ele.

De volta à nossa casa, na Aclimação, mais felizes do que nunca, contamos as peripécias do tio Walter ao nosso filho Mauro.

Ele ficou tão encantado, que até hoje, mais 20 anos depois, ainda se lamenta de não ter aceitado nosso convite para visitar o tio Walter.

Como foi bom ter um tio com o tio Walter Guido.

Cláudio Amaral

24/11/2006 09:34:58 e 20/1/2012 09:37:34

Comentários

  1. Acho que todo mundo tem um tio Walter né Cláudio? Meu tio Arlindo transformou uma grade de fogão no melhor balanço que já tive na vida. E como é bom...Abraços, Marcos Junqueira

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  2. Ivan Evangelista Jr. escreveu: "Imaginei a oficina e a cena toda. Latas de oleo, de pessego e de massatumate virando utensílios domésticos. Aliás, quem foi que deicidiu que jabuticaba na feira, so se venderia em lata de oleo reciclada e por litro? Por qe não por quilo?"

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  3. Saudades meu querido Avô !

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